É indescritível o bater dos cílios, o circular do vento, a cor das pálpebras quando lacrimejam. Indescritível é se reinventar, nascer de novo, nascer da essência, morrer com ela. Indescritível é o bilhete de bom dia, o sorriso educado da moça do mercado, a manhã deixando o sol pintar o céu de laranja.
Eu sou parte de cada detalhe, me reconheço neles!
Ficaria meia hora observando a poesia que é o vento gelado em fim de tarde quente me convidando a voltar, trazendo nostalgia de infância, me chamando a viver e não apenas existir.
Sou o cheiro de amor daquele casal que não desengata romance mais exala paixão de longe. Sou aquela criança que corre descalça, com medo dos carros, mas curiosa demais para deixar as longas e movimentadas avenidas. Sou a boca que grita primeiro, sou os lábios que se encontram, sou o barulho do relógio, a ansiedade e calma. Sou a vida, vida minha e vida de quem tocar com os detalhes minha alma..."
(Medeiros, Ana Paula)

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