
Um dia desses comecei a me dar conta do quanto tenho o "dom" para fazer planos. É incrível, não preciso de muito, basta uma data em especial, acontecimentos do dia-a-dia, enfim tudo. Costumo sempre pensar em como vai ser, ou melhor, como eu quero que seja.
Quer um exemplo?
A fila no ónibus (pra ser mais exato aquele tumulto desorganizado) me faz pensar que quero ter um carro e que pra isso precisarei de uma boa profissão, uma boa profissão nunca será boa se eu não fizer o que realmente gosto, o que eu realmente gosto requer muita dedicação hoje nos meus estudos.
Aquelas coisas fofas de casa, tapetes, sofás e tudo o que se direito me lembram da decoração da casa que eu quero ter. A casa que eu quero precisará de uma estrutura proporcional e exata já que sou uma detalhista nata. Os detalhes me saíram os olhos da cara e isso mais uma vez afetará o meu salário.
A repulsa que minha mãe tem por cachorros me faz querer ter um milhão deles no meu quintal (e isso me lembra que a casa além de tudo precisa de um quintal espaçoso).
É, deu pra perceber que eu definitivamente adoro fazer planos. Isso já é tão frequente que até se torna chato. São tantas possibilidades e opções que passam pela minha cabeça que é nessas horas que nem posso dormir. É como costumo dizer: "Penso, logo não durmo".
Eu já planejei tanto que deixei de querer fazer planos. Agora tenho um único plano: NÃO FAZER PLANO NENHUM. Descobri que a vida é o que acontece enquanto você fica fazendo planos e é muito melhor viver e se deixar viver.
— Ana Paula Medeiros
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