quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O palhaço


Pintei meu rosto para sobreviver e esconder as tristezas porque passei.


Pintei meu rosto porque sou um palhaço, que neste palco, estando feliz ou não, jamais demonstra a tristeza que traz no coração

Pintei o meu rosto para esconder as lágrimas que já derramei.

Pintei meu rosto para encontrar força para continuar a vida.

Pintei meu rosto para viver a ilusão de ter um amor verdadeiro

Pintei meu rosto porque a maior das minhas emoções é fazer brotar em seus lábios, um sorriso de alegria.

Pintei meu rosto para apagar as mágoas e as cicatrizes do passado.

Pintei meu rosto para não deixar transparecer nele a certeza de um amor não correspondido.

Pintei meu rosto porque neste circo da vida eu sou apenas um 'palhaço' que quer roubar seu coração.
Mara Figueredo

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Gabriel o Pensador - Linhas Tortas

"Então eu descobri que já nasci com esse problema 
Eu gosto de escrever, eu gosto de escrever, crer, ver 
Ver, crer, eu gosto de escrever e escrevo até até poema..."

sábado, 3 de outubro de 2015

DESERTO DAS MENTES

 Assisti ao filme Flor do deserto, da diretora Sherry Hormann (2009), uma autobiografia da modelo somali Waris Dirie (Lya Kabece), circuncidada aos cinco anos e vendida para um casamento arranjado aos 13. O filme é um verdadeiro banho de conscientização sobre como algumas culturas podem ser agressivas e desrespeitar os direitos humanos em nome de uma crença ou costume.
Drama e realidade tomam conta de uma menina que aprendeu a entender como suas verdades precisavam ser trocadas de lugar, a fim de combater as dores alheias Waris Dirie conseguiu transformar sua dor em arte e foi reconhecida pela ONU como embaixadora oficial da luta pela erradicação da mutilação genital feminina, após sua primeira declaração em público sobre a pratica.
Flores no deserto. Mulheres sem empoderamento. Nós resistimos aos anos e eles nos engoliram como verdadeiras pedras, resistimos à chuva sem desabrochar, nós nos mantemos presas a convicções e algumas vezes até acreditamos que elas sejam realmente o melhor para nós. Somos destinadas e não donas do nosso destino, somos culpadas por nossas vestes e nosso respeito é condicionado a elas.
Nossos dons são limitados e nosso corpo nasceu unicamente para reproduzir. Nosso prazer não importa, nossos ideais são estereótipos e nosso direito é o silêncio.
Assim como as flores do deserto são poéticas por sua resiliência historicamente comprovada, não haveria melhor definição para uma mulher que essa. Esse paradoxo de que a cultura deve ser preservada mesmo que algumas delas invadam nossos direitos nos faz refletir sobre como na maioria das vezes nós mulheres pagamos acentuadamente o preço de ser cultural. Não só no continente africano, existem vários países, como: Nepal, Arábia Saudita, Paquistão, Afeganistão etc., que sob justificativa de costumes invadem e corrompem nossas condições humanas dos direitos femininos.

Liya Kebece conseguiu resistir as tempestades de um deserto que infelizmente ainda é nossa realidade e desabrochou como flor que é. Gostaria que os desertos de nossas mentes se abrissem para o que realmente deve ser preservado como cultura e o que deve ser repensado como costume. Às flores que ainda não desabrocharam, meu desejo é que um dilúvio de consciência as invada para que possam florir no deserto porque foi para isso que nasceram.

(Medeiros, Ana)

domingo, 13 de setembro de 2015

O CRAVO E A BORBOLETA


Tive tanta urgência em encontrar seu brilho no meu jardim que nunca me permiti conhecer seu casulo, nem admirar seu sorriso enquanto larva, te queria pronta.  A cada busca minha, uma dança sua com o vento, seu distanciamento. Meu egoísmo não me deixou entender suas fases, nem compreender seu tempo.

  Pobre Borboleta! Sempre quis suas cores sem esperar você se pintar de amor.

Quando decidi cuidar do meu botão sem a pretensão de conhecê-la  tornei-me um pouco de ti, para que se tornasse um pouco de mim. Aprendi a cuidar do meu casulo como se cuidasse do seu, porque à partir dali eu teria um casulo. Aprendi a amar cada uma de minhas tempestades até que pudesse te reconhecer em mim. Aprendi a observar em meio as outras flores um caminho cheio de pétalas e não mais correr para persegui-la se ferindo entre os galhos soltos. Passei a florir sem forjar meu perfume, acredite, não era mais armadilha para que visitasse meu jardim. Esperar deixou de ser tormento, nada é pesado demais para quem tem asas. Passei a amar a espera por que a cada segundo dela você se fazia melhor.

 Quando deixei de me atentar ansiosamente para sua chegada, ali estava você pequena, em uma de minhas pétalas fazendo jus ao imprevisível, colorida e pronta. 
 Só pude descobri o dom do amor quando te descobri cravo e me descobri borboleta, éramos a mesma paciência, só então nos tornamos um.

Medeiros, Ana Paula.

domingo, 23 de agosto de 2015

Aqui reside resiliência
Aqui jaz a paz
Aqui a alegria se alegra
Aqui o sorriso sorri
Aqui exercitar verbo vira regra
O que se fala é o que faz
E o que se faz é o que se fala

(Medeiros, Aninha)

sábado, 1 de agosto de 2015


Jack Johnson - My little girl (tradução)


Torna-te aquilo que és sem que as represálias prendam-lhe as asas.
Quem nasce passarinho precisa de céu, não de limites. 

(Medeiros, Aninha.)


Tem dizeres que a gente não diz, mas grita silenciosamente e dispensa qualquer fala.
Medeiros, Aninha.

JORNALISMO


...Que a praticidade dos computadores não nos permita perder a essência e a insistência pela sede de informar. Que o paradoxo da internet não nos acomode a formar opiniões descontextualizadas e superficiais. 
Que se some a experiência de quem abriu caminho dentro do jornalismo e a nova perspectiva de quem está começando.


(Ana Paula Medeiros)

SISTEMA


Capitalismo
Canibalismo

Méritocracia de merda

Alienados querem militares
Passeatas apenas a passeio

Redução da maioridade
A espera por solução,
Ilusão!

Preconceito e intolerância
Guerra de ignorância

Fome nas calçadas
O mundo padece 
E a gente esquece

Esquece se sujeitando ao sistema, 
Que dilema!

Esquece buscando mérito, 
Que incerto!

Esquece assistindo novela, 
Que mazela!

Esquece piorando as leis, 
Que insensatez!

Esquece se achando melhor que outro, 
Somos tão pouco... 


Esquece...esquece. 


(Ana Paula Medeiros)


O amor não envelhece por que a gente ama na alma e a alma é eterna. 


(Ana Paula Medeiros) 

*créditos para esse doce casal desconhecido que encontrei.*

Esse não era meu sonho.


Sonhei com respeito, sonhei com mudanças. Eu sonhei com um futuro menos cinza que nosso antigo presente que hoje deveria ser passado, mas só faz reprisar o que não pode ser esquecido. 
Houve um povo que lutou por igualdade e sangrou por isso, houveram vidas apagadas em busca desse ideal e hoje eu nunca me vi tão distante desse sonho que mais parece utopia.

Haverá um dia em que a cor será tudo o que menos importa?
I Have a dream, i have a dream... 



Ana Paula Medeiros

Parafraseando um grande homem, que honra

ACASO

E a multidão tornou-se pequena diante da casualidade imprevista. 
Já haviam se cruzado muitas outras vezes no transporte público, na mesma calçada, na festa de aniversário de algum amigo em comum, mas o acaso não queria ser clichê. 
O acaso tão original que é queria encontrar um dia em que ambos não esperavam alcançar tamanha graça. 
O amor é tão distraído que tropeçou nos dois (...)

(Medeiros, Aninha)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

ADAPTAÇÃO


Mas o que é viver se não adaptar-se?
Para dias de chuva as produções de musicais da Broadway com dança e sincronia em meio a pingos gelados; Para o trânsito estressante de São Paulo as páginas de um bom livro em meio às luzes da cidade.
Se você realmente não faz das tripas coração vai viver uma vida inteira buscando encontrar o que já tem nas mãos. (Medeiros)

Improporcional hora marcada


O tempo é a imprecisão da existência. O mesmo relógio pode estar atrasado e pontual, as horas nos favorecem, os anos nos envelhecem. No mesmo minuto nascem e morrem pessoas diferentes, ambas escravas de uma improporcional hora marcada.
O que nos resta se não medir os dias pelos segundos que nos restam? 
Seja um dia a mais ou um dia a menos existe apenas uma certeza:
Assim como tudo que é inédito nessa vida o dia 19/09/14 aos exatos 12h39min nunca mais retornaram. (Ana Paula Medeiros)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Irmandade


Talvez a vida seja só o sorriso de uma criança na piscina em um dia de calor; Talvez as pequenas alegrias sejam infinitamente melhores do que o futuro construído por uma felicidade ilusória (...)
Tô com uma saudade de você bebê, mas fico aqui torcendo muito pra que você estique, cresça e tire da vida tudo de melhor que conseguir.
Que voe, cresça e apareça.
Medeiros, Aninha.

Alma Solidária

Repara e ampara
Dá colo e cola os pedaços
Repara no outro 
Reflita um pouco
Quantas vezes você quis receber
E quantas vezes você deu pra entender?
(...) Se colocar no lugar
Dar sem esperar
Esse afeto que desinfeta alma
Esse afago que devolve a calma
Não fale de amor
SEJA ELE!

(Medeiros, Aninha)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A certeza do sentir


Sentir é saber
Saber-se é sentir-se

Ninguém compreende o sentido
Nem saberá se de fato é verídico

O que se sabe é o que se sente
É apelo da mente
É o que não se entende

Sei tão pouco quando vejo
Sei tão mais quando sinto

Sinto que não preciso entender
Por que sentir também é uma forma de saber.


(Ana Paula Medeiros)

domingo, 10 de agosto de 2014

AMOR INVENTADO

Soluçou solucionando o que lhe prendia e disse que não queria mais esses amores da imaginação que só existem na televisão. Queria entender o porquê a vida é e como pode doer tanto o que um dia lhe sorriu e fez sorrir.
Fingia não sentir saudade de acreditar que tudo se acertaria e acreditava que fingir era o melhor remédio. Não era saudade,era uma fisgada no vácuo; era um sorriso conhecido; era o tempo fazendo jus as lembranças; era uma música tocando na alma; era apego aos detalhes; era a sutileza da ausência cobrando a conta da imensidão que era a presença ...mas não...Não era saudade! 
Ah Luiza, ninguém nunca entendeu a Quadrilha de Drummond, tão pouco entenderá por que a imensidão que lhe é existente nesse peito inquieto hora faz um bem danado, hora nos deixa desgraçado. 
Desgraçado talvez seja a palavra e não no sentido pejorativo quando soa como uma forma ofensiva, talvez apenas uma palavra sutil para nomear o que perdeu a graça. 

Não existe mais graça por que a graça deu lugar a realidade.  É Luiza, hora de acordar.

Pior do que não ter uma história de amor é inventa-la. O coração quer encrenca, não importa com quem, ele sempre vai se meter a besta com alguém.  Cazuza não era o único, nós também adoramos um amor inventado. Adoramos supor sinopses de dias que nunca vão existir, adoramos moldar as personalidades que gostaríamos de nos relacionar, adoramos esses filmes que passam pela nossa cabeça do que poderia ser, MAS NÃO É.
Queremos a supresa de ter a pessoa dos nossos sonhos,  mas como vamos nos surpreender se já sonhamos? 
Quase nunca o amor corresponde às nossas expectativas,  quase sempre ele nos ensina com sua autenticidade. Ninguém nunca tem o controle de tudo como em uma ficção.  É bem além de  todas as vidas já vividas na nossa imaginação limitada.
Nós nos atrevemos a sonhar com o amor,  ele chega e nos ensina a amar.


(Ana Paula Medeiros)


Vícios e sutilezas


Troque seus vícios por sutilezas, e seus medos por certezas. Esteja pronto para mudar, mas aprenda a esperar. Exageros rompem com a paciência, equilíbrio nos ascendência.

(Ana Paula Medeiros)

DEUS É RISO

É riso sincero em dia nublado. É riso de criança em manhã de natal. Deus é riso de alegria plena,  de comunhão amena, dessa que não cobra presença, mas que sente a ausência. Deus é a graça de graça, graça tão leve que nos fez livre. É felicidade por nada ou talvez por tudo, por toda a eternidade.

(Ana Paula Medeiros)

domingo, 29 de junho de 2014

Catherine Feeny - Mr. Blue

OVER


Coisa que acaba. Troço que tem fim. Sujeito. Que não dura, que se extingue. Míngua. Negócio finito, que finda. Festa que termina. Coisa que passa, se apaga, fina. Pessoa. Troço que definha. Que será cinzas. Que o chão devora. Fogo que o vento assopra. Bolha que estoura. Sujeito. Líquido que evapora. Lixo que se joga fora. Coisa que não sobra, soçobra, vai embora. Que nada fixa. A foto amarela o filme queima embolora a memória falha o papel se rasga se perde não se repete. Pessoa. Pedaço de perda. Coisa que cessa, fenece, apodrece. Fome que se sacia. Negócio que some, que se consome. Sujeito. Água que o sol seca, que a terra bebe. Algo que morre, falece, desaparece. Cara, bicho, objeto. Nome que se esquece.

64978419, “Nome”, Arnaldo Antunes, BMG, 1993 Pessoa

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A INJUSTIÇA a nosso favor


Você condena quem fura fila, mas se tivesse um amigo mais a frente dela entraria lá; Odeia mentiras, mas mente para proteger as pessoas; Você perdeu o celular e adoraria que devolvessem, mas se encontra um na rua foi presente divino. Sua avó pode sentar, mas os velhos do ônibus que se segurem direito enquanto você dorme. Você odeia o péssimo atendimento da loja de calçados, mas trabalha com cara de bunda. Odeia que descontem os problemas em você, mas chega em casa de mal com o mundo. Você detesta depender das pessoas, mas reclama se seu namorado não pagar a conta. Reclama da corrupção, mas vota no ladrão. Odeia o Brasil, mas vibra na copa. Quer enganar e não ser enganado. Você espera que sejam o que não é por que a INJUSTIÇA a nosso favor é a justiça que você inventou para justificar que você pode, ELES NÃO.

Medeiros, Ana.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vai Brasil!


Vai Brasil!
Vai pra urna,
Se unifica,
Se justifica,
Se modifica.

Vai Brasil!
Vai lutar,
Lutar pelos seus direitos,
Não seremos perfeitos,
Seremos melhores.

Vai Brasil!
Que o futebol é nosso,
Mas ele não enche barriga,
Não alimenta a favela,
Lute por ela!

Vai Brasil!
Vai dar um jeito no seu jeitinho,
Não aceite tão pouquinho,
Saia desse mundinho.

Vai Brasil!
Tira essa camisa,
Se vista de verdade,
Seja realidade,
Deixa de ser quem é
E se torne o melhor que pode ser.

Ana Paula Medeiros

sexta-feira, 6 de junho de 2014

AVISOS

 "Às vezes, não há nenhum aviso. As coisas acontecem em segundos. Tudo muda. Você está vivo. Você está morto. E as coisas continuam. Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos."
 
 Charles Bukowski.  

Uma PARTE de mim


"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira."

 
 Traduzir-se, Ferreira Gullar.

segunda-feira, 5 de maio de 2014


Quem nasceu com a sensibilidade exacerbada sabe quão difícil é engolir a vida. Porque tudo, absolutamente tudo devora a gente. Inteira.
Marla de Queiroz

domingo, 4 de maio de 2014

A Banda mais bonita da cidade- Se Eu Corro

Recado de afeto àqueles que sonham


Lá vai alguém que sonha. Vai pisando seus medos, sofrendo sua ansiedade. Para, respira, sente fome, perde o apetite, foge de sabe-se lá o quê, senta na grama, levanta, dorme, acorda, cantarola, chora. Lá vai alguém que sonha seu caminho leve, procura o sol entre uma sombra e outra e sofre o peso de cada passo, desvia de buracos, armadilhas, arapucas, alçapões. Lá vai alguém que sonha.
Vai em cima da hora, acelera na estrada à tardinha. Anda só na companhia de alguém que sangra, que parte e que há de voltar. Segue adiante. Erra o caminho, perde entradas, ignora saídas. Diminui o passo quando vê um obstáculo, passa devagar, olha ao redor. Acelera quando sente perigo. Foge, segue em frente.
Lá vão seus pequenos sonhos de grandeza. Suas manias e obsessões e seus medos insuportáveis, sua solidão dolorosa. Lá vai seu olhar passeando os caminhos de gente desconhecida, suspeitando amor em cantos esquecidos onde a vassoura não entra. Vai alguém ali, esperando em seu desespero, escorregando entre o barulho vazio de seus dias e o silêncio rumoroso de suas noites.
Entre os que se entrincheiram à esquerda e à direita, ignorando o quanto estamos todos na mesma linha de tiro, no meio e no alvo da bomba, vai alguém em sua perplexidade, sonhando histórias simples de amor e saudade. Lá vai uma pessoa a quem alguns brilhantes pensadores político-filosóficos classificariam como ingênua ou demagoga porque ainda se compadece de quem tem fome, na África ou na esquina.

Vai ali alguém em sua alegria triste, seu riso chorado, seus cabelos em desalinho e seus desvios impecáveis. Lá vai alguém achando que vai mudar o mundo, sim. Devagar, no ritmo lento e teimoso de seus passos, mas vai, ah, vai.
Em sua arte de atravessar a rua na frente dos carros apressados e forçá-los a pisar no freio, vai alguém que sofre e chora sua raiva e seu desencanto porque sonha. E quem sonha leva ao passeio um cachorro livre que não aceita sua coleira, escapa ligeiro por debaixo do portão e lhe morde a cara com força e sem remorso se o ameaçam em sua liberdade.
Caminhando apressado para longe dos malditos idiotas e sua sanha raivosa de tudo nivelar por baixo, vai alguém em seu olhar perdido. Vai acreditando que a vida podia, talvez nunca seja, mas bem podia ser tão simples quanto um pente que lhe falta entre as tesouras e toalhas e cortadores de unha da casa.
Pelas calçadas onde bate o sol, lá vai alguém que sou eu e é você e somos nós e os nossos sonhos. Alguém que fala tanto de amor porque o amor lhe falta e lhe dói. Assim, caminhando pela vida de seu jeito, em seu susto, de sua sorte, lá vai alguém que sonha.

Por

terça-feira, 29 de abril de 2014

PAIS E FILHOS


Alguns filhos tornam-se pais de si quando descobrem que não há outra alternativa. Alguns filhos se vestem de ausências para cobrir espaços existentes. Alguns filhos se percebem pais quando o que lhes falta como referência é criado duplamente em suas personalidades.
Ser pai é ter pegada na estrada primeiro, é conselho antecipado, é ter trajetória de quem quebrou a cara para ensinar depois. Pai é condução, direção, acompanhamento de queda. 
Todos os avisos e todo ombro após as quedas de quem não ouviu os avisos. É ser referencia, referencial. Ser alguém a ser referido com um carinho especial.  Presença, um presente. É estar sempre ali, além das datas comemorativas.
Ser pai é um dom, ter filho não é possui-lo. Genética não tem a ver com paternidade, sangue não tem e ver com amor incondicional.
Você já pai de seus futuros filhos quando aprende sem terem lhe ensinado a aprender a caminhar, a trilhar os secos vãos que a vida nos oferece. Seu filho ouvirá:
— Tudo o que a mim não foram SEREI EU, tudo o que me faltou será abundantemente o que lhes sobrará.

Então poderei dizer a você em qualquer dia do ano com propriedade:
Feliz dia dos pais a você FILHO PAI, pai de si!


(pais inexistentes definem filhos com dons, seja para o mal, seja para serem pais melhores.)

A.P. Medeiros




Largando planos, partindo estradas


"Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?"


Fernando Pessoa SOARES, B. Livro do Desassossego. Vol.II. Lisboa: Ática. 1982. 85p.