Soluçou solucionando o que lhe prendia e disse que não queria mais esses amores da imaginação que só existem na televisão. Queria entender o porquê a vida é e como pode doer tanto o que um dia lhe sorriu e fez sorrir.
Fingia não sentir saudade de acreditar que tudo se acertaria e acreditava que fingir era o melhor remédio. Não era saudade,era uma fisgada no vácuo; era um sorriso conhecido; era o tempo fazendo jus as lembranças; era uma música tocando na alma; era apego aos detalhes; era a sutileza da ausência cobrando a conta da imensidão que era a presença ...mas não...Não era saudade!
Ah Luiza, ninguém nunca entendeu a Quadrilha de Drummond, tão pouco entenderá por que a imensidão que lhe é existente nesse peito inquieto hora faz um bem danado, hora nos deixa desgraçado.
Desgraçado talvez seja a palavra e não no sentido pejorativo quando soa como uma forma ofensiva, talvez apenas uma palavra sutil para nomear o que perdeu a graça.
Não existe mais graça por que a graça deu lugar a realidade. É Luiza, hora de acordar.
Pior do que não ter uma história de amor é inventa-la. O coração quer encrenca, não importa com quem, ele sempre vai se meter a besta com alguém. Cazuza não era o único, nós também adoramos um amor inventado. Adoramos supor sinopses de dias que nunca vão existir, adoramos moldar as personalidades que gostaríamos de nos relacionar, adoramos esses filmes que passam pela nossa cabeça do que poderia ser, MAS NÃO É.
Queremos a supresa de ter a pessoa dos nossos sonhos, mas como vamos nos surpreender se já sonhamos?
Quase nunca o amor corresponde às nossas expectativas, quase sempre ele nos ensina com sua autenticidade. Ninguém nunca tem o controle de tudo como em uma ficção. É bem além de todas as vidas já vividas na nossa imaginação limitada.
Nós nos atrevemos a sonhar com o amor, ele chega e nos ensina a amar.
(Ana Paula Medeiros)

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