domingo, 13 de setembro de 2015

O CRAVO E A BORBOLETA


Tive tanta urgência em encontrar seu brilho no meu jardim que nunca me permiti conhecer seu casulo, nem admirar seu sorriso enquanto larva, te queria pronta.  A cada busca minha, uma dança sua com o vento, seu distanciamento. Meu egoísmo não me deixou entender suas fases, nem compreender seu tempo.

  Pobre Borboleta! Sempre quis suas cores sem esperar você se pintar de amor.

Quando decidi cuidar do meu botão sem a pretensão de conhecê-la  tornei-me um pouco de ti, para que se tornasse um pouco de mim. Aprendi a cuidar do meu casulo como se cuidasse do seu, porque à partir dali eu teria um casulo. Aprendi a amar cada uma de minhas tempestades até que pudesse te reconhecer em mim. Aprendi a observar em meio as outras flores um caminho cheio de pétalas e não mais correr para persegui-la se ferindo entre os galhos soltos. Passei a florir sem forjar meu perfume, acredite, não era mais armadilha para que visitasse meu jardim. Esperar deixou de ser tormento, nada é pesado demais para quem tem asas. Passei a amar a espera por que a cada segundo dela você se fazia melhor.

 Quando deixei de me atentar ansiosamente para sua chegada, ali estava você pequena, em uma de minhas pétalas fazendo jus ao imprevisível, colorida e pronta. 
 Só pude descobri o dom do amor quando te descobri cravo e me descobri borboleta, éramos a mesma paciência, só então nos tornamos um.

Medeiros, Ana Paula.

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