Pobre Borboleta! Sempre quis suas cores sem esperar você se pintar de amor.
Quando decidi cuidar do meu botão sem a pretensão de conhecê-la tornei-me um pouco de ti, para que se tornasse um pouco de mim. Aprendi a cuidar do meu casulo como se cuidasse do seu, porque à partir dali eu teria um casulo. Aprendi a amar cada uma de minhas tempestades até que pudesse te reconhecer em mim. Aprendi a observar em meio as outras flores um caminho cheio de pétalas e não mais correr para persegui-la se ferindo entre os galhos soltos. Passei a florir sem forjar meu perfume, acredite, não era mais armadilha para que visitasse meu jardim. Esperar deixou de ser tormento, nada é pesado demais para quem tem asas. Passei a amar a espera por que a cada segundo dela você se fazia melhor.
Quando deixei de me atentar ansiosamente para sua chegada, ali estava você pequena, em uma de minhas pétalas fazendo jus ao imprevisível, colorida e pronta.
Só pude descobri o dom do amor quando te descobri cravo e me descobri borboleta, éramos a mesma paciência, só então nos tornamos um.
Medeiros, Ana Paula.

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