domingo, 25 de setembro de 2011

PAI



Eu vou escrever pra você o que eu sempre quis dizer nessa carta que talvez você nunca vai receber. Me desculpe desde já por favor, e tente entender a minha letra que a lágrima borrou.

Hoje é segunda-feira o dia tá nublado, nem fui para a escola, perdi a hora, acordei zoada. Trancada aqui no quarto, vejo os álbuns de retrato de como parecia que agente era feliz. Uma foto de nós dois abraçados e depois outra de um aniversario de alguns anos que fiz.

Então à partir daí comecei a recordar nossa historia...tudo que vivemos juntos em nossa trajetória. Muitas glórias, muitas crises, vários planos. Tempos felizes de uma família em poucos anos. Lembro perfeitamente até posso sentir As cócegas que você fazia pra fazer eu rir e quando me perguntava o que eu queria ser quando crescer. Eu dizia que queria ser como você. Que simplesmente era o meu super-herói e que deixou muita saudade no meu peito que dói.

Acho que você sabe que foi duro pra mim ou pra nós. Acho que não, você sumiu. Nem viu sua filha crescer, foi rápido, nem sentiu. Foram poucos telefonemas, para matar quem nos matava no final sempre com um beijo me dizia que me amava. Ouvia uma voz de alguém bem lá no fundo, eu sabia que você encontraria outro mundo, alguém para concorrer do amor que eu tanto sinto por você e que por telefone eu não sei dizer.

Mas de que vale o amor se o senhor não tá aqui pra eu poder te abraçar, te beijar e sorrir ? Não sou mais aquela criança contente,
nem você aquele pai tão presente.

Minha mãe quem fez o seu papel ensinou-me, nunca me deixou ao léo. Ela disse que o amor não pode viver com a mágoa, é como o ditado do óleo que não junta com a água...Que é necessário eu te amar e esquecer todo o passado.
De que vale o amor se você não tá aqui do nosso lado? Mas eu te amo e isso me dói aqui dentro e gostaria de mostrar com atitudes o meu sentimento,
Os filhos sempre são os que sofrem mais com a separação dos pais.

Sonhei, nunca faz mal sonhar.
Busquei, alguém para me espelhar.
Achei em Deus um pai, meu rei
Meu respirar...


(Ao Cubo - Filhos)

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