
Expressões descabidas, textos com inúmeras declarações, alianças que mais parecem pneus de tão grossas, vídeos cansativos com fotos repetidas, demonstrações desnecessárias que nos causam um enjôo continuo e absoluto.
Hoje é assim: Eu te amo na primeira semana, uma transa como prova do sentimento na segunda, na terceira um “eu não vivo sem você” na página de relacionamentos da internet é crucial.
O resto você já conhece bem: Isolamento do casal. O mesmo curso de inglês na mesma sala. O mesmo gosto musical obrigatório. Ciúme até do pelinho da sobrancelha. Ciúme de amigos, do futebol e das mulheres gostosas de TV. Obsessão pelos contatos do celular, do trabalho, do cursinho. O casal briga e o Facebook é o primeiro a agüentar os despejos de raiva, ódio e melancolia. E a dita cuja fica de mal com o mundo, com a família, com os amigos, enfim, com aqueles inúteis que nunca estiveram do seu lado não é verdade? Aqueles que nunca fizeram por você o que aquele menino que você conhece há quatro meses fez — Desculpe o excesso em ironia, foi proposital o exagero. —
Querida, os textos enormes só conseguem mostrar sua dificuldade em língua portuguesa, uma aliança não vai provar que ele a ama mais, os seus vídeos idiotas desesperados ninguém assiste, um eu te amo sem sentimento é dar atestado de otária, um ato sexual não vai provar o que se constrói com o tempo; Você não vive sem ele? Então conte como foi a experiência de não existir antes dos quatro meses milagrosos da sua vida. Ah! Já ia esquecendo... O pelo da sobrancelha dele não foi arrancado pela menina gostosa do curso de inglês de vocês, os amigos dele não vão induzi-lo a te trair sem que ele se deixe convencer primeiro, as pernas peludas dos homens do futebol não vão tornar seu namorado homossexual se é isso que você pensa quando se sente insegura ao deixá-lo jogar bola com aquele monte de marmanjos. E aquelas boazudas da TV? Haha é Claro que as dançarinas do Rodrigo Faro vão dar a mínima atenção que seja para o babão do seu lado olhando as bundas siliconadas não é verdade? Ciúme construtivo esse.
Ultimato:
Dependência que gera decadência não consiste em amor.
Pra quê colocar exagero no que é belo?
ENTÃO DESENCANA!
DE-SEN-CA-NA (...) E aprende.
— Ana Paula Medeiros
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