Eu vejo Deus quando ouço minha mãe, voz amena, me convidando a almoçar. Encontro Deus em um tom, em um solo musical, naquela música que toca, e nos reconhece. Deus esta presente no paragrafo daquele livro redigido por um humano tão passivo de errar quanto eu. Sinto que ele está presente quando o sol desenha marcas laranjas nas nuvens ainda pela manhã. Deus aparece quando enxergo em um adulto a essência de uma criança, e quando reconheço mais sabedoria em uma criança do que em um adulto. Percebo que sua presença foi determinante para quem inventou o chocolate conseguir unir tantas delícias juntas. Vejo Deus em uma boa conversa com alguém querido, naquele abraço que fica pendurado na alma, no encontro que mata saudades, nas almas que são ganhas e se deixam ganhar. Deus esta no meu acerto, profissional, na palavra que acertei hoje de manhã, no abraço que dei e serviu como roupa a quem necessitou. É engraçado como eu encontro as grandezas de Deus no que para o mundo são apenas detalhes...
[Á seguir o alvo de minha inspiração traduzido na simplicidade e sensibilidade que já é marca registrada da Martha Medeiros *Quando Deus Aparece, DO LIVRO Feliz por nada. ]
"Tenho amigas de fé. Uma delas, que é como uma irmã, me escreveu um email poético, dias desses. Ela comentava, em detalhes, sobre o recital a que ela assistiu do Pianista Nelson Freire, recentemente. Tomada pela comoção durante o espetáculo, ela finalizou o email assim: "nessas horas Deus aparece."
Fiquei com essa frase retumbando na minha cabeça. De fato, Deus não está em promoção, se exibindo por aí. Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer pra gente. Não sendo visível aos olhos, ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós. Eu não sou uma católica praticante e ritualística - não vou à missa. Mas valorizo essas aparições como se fosse a chegada de uma visita ilustre, que me dá sossego à alma.
Quando Deus aparece pra você?
Pra mim, ele aparece sempre através da música, e nem precisa ser um Nelson freire. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.
Deus me aprece nos livros, em parágrafos em que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.
Deus me aparece - muito! - quando estou em frente ao mar. Tivemos um papo longo, cerca de um mês atrás, quando havia somente as ondas entre mim e ele. a gente se estende em meio ao azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma.
Deus me aparece - e não considere isso uma heresia - na hora do sexo, desde que feito com quem ama. É completamente diferente do sexo casual, do sexo como válvula de escape. Diferente, preste atenção. Não quer dizer que qualquer sexo não seja bom.
Neste exato instante em que escrevo, estou escutando "My Sweet Lord" cantada não pelo George Harrison (que Deus o tenha), mas por Billy Preston (que Deus o tenha, também) e posso assegurar: a letra e um animado bate-papo com Ele, ritmado pelo rock´n´roll. Aleluia.
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando uma amiga me liga de um país distante a demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso do meu sobrinho e no abraço espontâneo das minhas filhas. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.
E quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele está mesmo comigo."

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