segunda-feira, 29 de abril de 2013


Eu já fui sua voz, você já foi meu silêncio.

Eu já fui sua tinta, você já foi a quebra de página. 

Eu já escrevi o que você gostaria de ter escrito, você já pensou o que eu gostaria de escrever. 

A palavra foi nosso primeiro quarto. 

Agora entendo minha ansiedade com a literatura. Minha compulsão pela escrita. 

Escrever era apressá-la. Escrever era chamar sua atenção. Escrever era pedir que se aproximasse. Escrever era dizer que eu chegaria logo. Escrever era encurtar caminhos. Escrever era me separar para estar disponível. Escrever era segurar sua respiração enquanto não podia segurar sua mão. Escrever me adiantava para você, me preparava em você. 


E me emocionei ontem ao descobrir que jamais terminou qualquer um de meus livros, que não aceitava ler a última crônica, que pulava as derradeiras páginas.

Não lia os finais de meus livros porque você é o meu final.

Beijo do teu
Louco

Fabrício Carpinejar.

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