“Ah quem dera se em uma dessas cartelas de loteria sorteassem um amor para a vida toda.”
Disse Neuza, aquela moça solitária da limpeza. Talvez por acreditar que se fosse esperar pelo amor por mérito acabaria ficando “pra titia”.
O amor não consiste em merecimento, ainda bem, o temos e ponto final.
Ama-se meramente por amar. Desconheço qualquer outro motivo mais plausível para justificar o amor. Ama-se nos dias de tempestade, ama-se nos dias menos esperados, ama-se quando o amor é subestimado.
Não se pode programar o amor para acontecer, amar somente na hora que julgamos ser a exata.
Não se ama alguém por doces palavras soadas ao pé do ouvido, por promessas de uma promoção, ou por um elogio certeiro no ego. Você vai descobrir que realmente ama quando perceber que mesmo depois daquele deslize não se imagina sentindo outra coisa se não amor, vai descobrir o verdadeiro amor se amar mesmo quando deveria detestar.
Amor nasce e morre com a gente, não existe por um motivo preciso, ama-se com o coração, ama-se sem explicação.
— Ana Paula Medeiros

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