O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
(1 Coríntios 13:4-8)
O amor é sofredor...
...E que sofrer! Não, não me refiro a moça do café sentada com um livro, pouco notada pelo seu bem querer. Amar não é limitar-se ao amor entre um homem e uma mulher. O sofrer esta no reside encontrar uma parte de Deus jogada nas longas avenidas de São Paulo, sofro secretamente todos os dias quando vejo vestes caras e sapatos de grife substituindo a alimentação razoável de corpos jogados em calçadas frias. O amor é sofredor quando em silêncio não digo o que quero dizer, abrindo mão de uma resposta imediatista para evitar uma troca de ofensas. O amor é o mesmo que faz sofrer disparadamente o coração de uma mãe que aguarda os resultados da quimioterapia de um filho com câncer terminal, é a agonia que fica em uma palavra imensurável, quase nunca dita, apurada, mas sentida. O amor é cada tropeço das pessoas ao seu redor que você sofreu para perdoar. Ele é interligado com lagrimas, muitas vezes as mesmas lagrimas que fazem chorar são aquelas que te fazem amar.
É benigno...
Fazer o bem, dificuldade mútua é fazer o bem. Entender que o bem é relativo ao tempo e que não é imediato. Bem faz uma mãe quando decide não contar a filha que o suposto amor vai passar, ela faz o bem quando permite que todo o carro alegórico de sentimentos invada os sonhos da menina por que faz bem sonhar, e por que o bem de entender que vai passar ela só poderá compreender depois. Faz bem comer chocolate, menos para o sr. Afonso, sua mulher Maria faz o bem quando não faz bolos com tanto açúcar. Benignidade é cuidar, cuidar como cuida de si. É lembrar que as vezes você tem diabete com a pessoa e também ajudará nas dietas por que também está de dieta com sua amiga. Fazer o bem é não olhar endereço, ter compaixão daquele que você não conhece a história, é não olhar para os elogios que irá receber ou a recompensa de agradecimento. O amor é benigno quando cuidar deixa de ser obrigação. Vejo alguém que chora nas ruas, uma menina que desconheço o nome e penso "deixa eu cuidar de ti por 5 minutos", todo cuidado não interessado é a benignidade de um amor manisfestado.
Não é invejoso...
O amor não tá nem aí para as suas conquistas maiores, ele esta aí para um sorriso nesse teu rosto. Em um mundo onde não se pode imaginar que para cada vitória sua exista alguém que ainda aplauda seus pequenos ganhos diários, o amor torna-se um balsamo quando não é invejoso, quando não necessita provar do que você tem para estar feliz com sua felicidade. Amar é estar na miséria junto com alguém e ao descobrir um ganho na loteria sorrir como se fosse o seu número. O amor se deixa despir de si para entender que o ganho absoluto é sorrir por quem se ama, é amar detalhes da felicidade alheia, não quero-los para si.
Não trata com leviandade...
A prudência anda ao lado do amor, é sua companheira de estrada. Todo cuidado delicado para não ferir, machucar. Amo alguém quando cuido das minhas palavras, quando prorrogo minha paciência, quando sei esperar pela sua ausência. O amor é a sutileza ao falar, a certeza da verdade antes de gritar, fala com propriedade da verdade, mas tem cautela, compromisso com o cuidado sempre tão imediato. O amor não é leviano, quem ama se cuida no meio do caminho para cuidar de quem está sozinho.
Não se ensoberbece...
Ah a vaidade, esse é o antônimo do amor, e sinônimo do ego, do egoísmo. Quem ama não se exalta, não cobra trocas, não faz barganha. O amor tem compromisso com o amor, não tem motivo preciso, não é troféu de exibicionismo. Ele é humilde no que se diz sentir, é tão calmo e quase silencioso, não se engradece com a reciprocidade, ele é amor antes de receber, e ainda que não receba, amor é amor até morrer.
Não se se porta com indecência...
A sua prudencia lhe faz belo. Cada detalhe de seu pudor reluz, cada parte de sua honestidade o conduz, o transforma no melhor que pode se tornar. O amor se renova, quase sempre renasce, mas de sua essência nunca se ausenta prudência.
Não busca seus interesses...
Por que ele se interessa por aquele que ama. O amor é negar-se um pouco todos dias, aprender que fazer alguém feliz te faz mais feliz. O sorriso alheio o alegra, a satisfação ao lado o encoraja. Feliz encontra paz naquele que alcançou a graça, encontra alegria naquele que se sente melhor. Que ninguém se engane, só se pode encontrar o amor de verdade no sorriso vizinho, em sua simplicidade, felicidade é FAZER FELIZ primeiro.
O amor não se irrita, não suspeita mal...
Ele se ira e logo se acalma, a paz do amor inunda a alma. Ele anda ao lado do perdão, e é vizinho do abraço apertado após horas de uma briga que o deixou calado. Ele acredita, fielmente, confia cegamente, acredita sem suspeitar, ama sem desconfiar. Aquele que ama inflama confiança, aceita a temperança, acredita na mudança e nunca deixa de ter esperança.
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade...
O amor é verdade. Verdade entalada, quase pouco interpretada, verdade que não se quer sentir, verdade que precisamos ouvir. O amor é deliberado ao ser sincero, não consegue realizar o injusto ainda que interno. Amo em verdade quando preciso ser franca e crítica, preciso alerta-lo(a), preciso dizer não. A justiça de não faltar com a verdade, de transparecer sinceridade quase tão difícil quanto mostrar a realidade, deixar de lado a fantasia da mentira que conforta, amar é dizer a verdade por que se importa.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Tudo sofre, as vezes calado, hora acompanhado, hora na solidão. Tudo crê, acredita sobre tudo, ainda que mudo, sozinho e sem chão. Tudo espera, sob a luz de velas, ou na escuridão.Tudo suporta, trancando a porta para a desistência, pois a beneficência o faz acreditar.
(Medeiros, Ana Paula)

2 comentários:
Sensacional.... Deus é perfeito e as cartas de amor dEle p nós nos inspira a viver um pedacinho do céu aqui na terra. Mto bacana esse post Ana Paula.
Magnífica interpretação Ana Paula! Li e reli cada uma das estrofes. Adorei seu estilo e a capacidade de mesclar o, além de abstrato, um dos sentimentos mais controversos e, portanto, difícil de se colocar em palavras (amor), com o concreto, visível, como as cenas do triste cotidiano em alguma rua de São Paulo ou no ambiente familiar, sagrado, mas, por vezes, triste. Mas você soube utilizar sua sensibilidade e colocar cada palavra, como uma artesã detalhista, sem a preocupação de analisa-lo sobre qualquer prisma - moral, religioso - apenas humano, universal como o texto original. Parabéns, continue nos brindando com essas relíquias.
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