domingo, 30 de março de 2014

Amor de passarinho

Pra não dizer que não lhe fiz versos te escrevo com a doçura de uma flor desabrochada.


Você nasceu para voar e eu bem sei, a verdade é que o encantamento começou não pela altura do teu voo, mas pela liberdade com a qual desfrutava desse céu tão azul. 
Prender-te me faria ter suas cores, seus sonhos, me faria estar ao lado de seus planos e decorar a cor de seus olhos. Tê-lo me permitiria acompanhar seus machucados, cuidar de suas asas, consertar seu bico.
Eu me precavi de todos motivos para mantê-lo seguro, ainda te vejo um pequeno passarinho, com olhos e coração de águia, mas passarinho. Saberia usar boas dosagens de verdade caso ousasse ir:
"Você é pequeno", "Pode ser que se machuque no meio do caminho", "Ninguém te vê como você se vê".
Mas meu passarinho, que por ventura nunca foi meu de pequeno só tinha a estatura. Era uma grande águia criada para testar a fé no impossível, a crença no incrível.
O que o fazia grande era justamente sua pequena compostura surpreendentemente em busca das alturas que ainda não alcançara e de suas asas que saltam para cima se esforçando para voar além.
Eu o amo em sua pequinês, e em sua grandeza de alma. O amo em seu comprometimento com a liberdade, em seu aval de delicadeza mesmo que com a asa quebrada. Eu o amo com seus olhos de águia tão atentos e seu coração de passarinho colorido. Descobri que o amava porque não mais deseja tê-lo em minha gaiola, eu aprendi a te deixar voar. E se por ventura voltar quero voar contigo, só pra ver teu bico franzir de alegria compatível com nosso amor amigo, amor de deixar partir, amor de passarinho.

(aninha, à um passarinho que ainda não sabe que é a águia da minha vida.)

Nenhum comentário: