Então a vi, quase pouco notada, eram muitas pessoas, muitas histórias, estava em uma multidão. Pessoas, cotidianos e um mar de infinitos que desconheço, mas nesse mar havia alguém que por alguns segundos já tocou minha alma, o todo absoluto a destacou. É incrível como um olhar conhecido jamais passará despercebido. Ainda que os lábios não se saúdem, os caminhos se cruzam. Ainda que não se tenha mais notícias, o coração lembra.
Mas ainda mais incômodo é o desconhecido íntimo. Aquele que você não só cruzou no trem, como também já o acompanhou durante seu percurso, aquele que um dia coincindiu com seu horário e fez valer sua vida, frequentou os mesmos lugares, sorriu e fez sorrir, marcou época e se tornou um desconhecido. A história cruzou e partiu, as vezes sem nenhum motivo em especial, as vezes motivados por orgulho, as vezes por tristeza, quase sempre por que tem que ser assim. Afinal, os caminhos nunca são os mesmos para sempre e o para sempre sempre acaba."
(Ana Paula Medeiros)

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